A controvérsia envolvendo o professor paraense Ediniz Ronaldo e a suplente de vereadora Teresinha Aparecida Cardoso (PCdoB) ganhou novos capítulos e passou a provocar uma onda de manifestações nas redes sociais. O que começou com um conflito envolvendo a atuação de um professor em sala de aula agora reúne denúncias de constrangimento, acusações de xenofobia, questionamentos sobre avaliação escolar e relatos de antigos alunos sobre possível imposição ideológica.
Ediniz afirma ter sido constrangido por causa de seu sotaque nortista e do uso da expressão regional “nóis”. Para o professor, sua maneira de falar faz parte de sua identidade cultural e não deveria ser motivo de questionamento ou humilhação no ambiente escolar. Ele também relatou episódios que considera preconceituosos e informou ter registrado boletim de ocorrência, além de mencionar uma ata de reunião do dia 7, na qual, segundo ele, há o registro de uma situação de preconceito com uma segunda professora como testemunha. O caso também foi levado ao conhecimento do NEPRE.
A polêmica envolvendo a prova
Outro ponto de tensão envolve o filho de Teresinha, aluno de Ediniz. O professor afirma que não anulou a prova do estudante e relata que a mãe teria levado uma professora de outra escola para corrigir a avaliação, em uma discussão sobre a nota que o filho deveria receber. Segundo Ediniz, a situação foi uma tentativa de desautorizar seu trabalho e pressioná-lo a atribuir nota 10. Ele também questiona a legitimidade desse tipo de intervenção fora dos procedimentos da própria unidade escolar.
Há ainda versões diferentes sobre um episódio envolvendo o pedido do estudante para ir ao banheiro. Teresinha afirmou que o filho foi impedido de sair após o recreio por causa de uma regra escolar. Já Ediniz apresentou outra versão: disse que faltavam aproximadamente dois minutos para o encerramento da aula e da atividade e que é regra do colégio o aluno não sair após o recreio. O episódio se tornou mais um ponto de divergência entre as partes.
Ex-alunos e pais rompem o silêncio
A repercussão aumentou depois que o Jornal Razão publicou reportagem sobre o caso. Nos comentários, vários ex-alunos e pais de estudantes saíram em defesa do professor paraense. Alguns antigos estudantes fizeram acusações de que Teresinha teria levado suas convicções políticas e ideológicas para dentro da sala de aula.
Entre os relatos publicados, há ex-alunos que afirmam ter se sentido prejudicados quando não compartilhavam do pensamento ou das crenças da professora. As declarações levantam uma questão grave: a avaliação escolar estaria baseada exclusivamente no desempenho dos estudantes ou, segundo esses relatos, também seria influenciada por afinidade ideológica?
As acusações são sérias e precisam ser apuradas. Até o momento, são manifestações publicadas por antigos alunos e familiares nas redes sociais, não conclusões comprovadas.
O episódio do protesto com soro contra o governador
A polêmica também trouxe novamente à discussão uma manifestação anterior de Teresinha contra o governador Jorginho Mello. Na ocasião, ela participou de um protesto com soro, em uma encenação de professores trabalhando mesmo estando doentes. A manifestação foi apresentada como crítica às condições de trabalho dos profissionais da educação.
O local do protesto também virou motivo de divergência. Enquanto relatos de terceiros apontaram a Escola Max Tavares, Teresinha negou que a manifestação tenha ocorrido naquela unidade e afirmou que foi realizada em outra escola. A discussão voltou à tona diante das atuais acusações envolvendo sua postura no ambiente escolar.
Um debate que ultrapassa o conflito entre duas pessoas
Com novos relatos surgindo, o caso deixou de ser apenas uma divergência entre uma mãe e um professor. A discussão envolve respeito à origem regional, liberdade de expressão, critérios de avaliação, pluralidade de pensamento e os limites entre convicções pessoais e atividade pedagógica.
A escola precisa ser um espaço de conhecimento, respeito e formação crítica. Nenhum professor deve ser constrangido por seu sotaque ou origem, assim como nenhum estudante deve ser prejudicado por pensar diferente de quem está à frente da sala de aula.
Teresinha nega as acusações de racismo e xenofobia apresentadas por Ediniz. As novas declarações de ex-alunos também precisam de resposta e apuração. O espaço permanece aberto para que ela apresente sua versão sobre os relatos e os episódios mencionados.
Por Jornalista Yasmin Silva




