Por Diniz Ronaldo | F5 Ilhota
O senador Jorge Seif (PL-SC) quis marcar posição no tabuleiro bolsonarista, mas acabou tropeçando nas próprias palavras. Ao usar a tribuna do Senado para atacar a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC), Seif não apenas ampliou a divisão interna no campo conservador catarinense — como também reacendeu o debate sobre o respeito à profissão docente, tema que mexe com o imaginário popular e atravessa todas as ideologias.
Em seu discurso, o senador afirmou que “uma deputada estadual, que não era nada até ontem, era professora”, estaria se achando líder da direita em Santa Catarina por criticar Carlos Bolsonaro, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que Seif defende como candidato ao Senado em 2026.
A fala, além de soar arrogante, pegou muito mal. Não foi só a militância de Campagnolo que reagiu: o debate chegou à Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina), onde deputados de diferentes espectros políticos criticaram o tom desrespeitoso de Seif.
O deputado Sérgio Guimarães (União) foi um dos primeiros a subir o tom: “Que fala desrespeitosa, senador. Carioca, eleito por Santa Catarina, que a mim você não representa. Respeito aos professores, que são o pai de todas as profissões”. A resposta sintetiza o sentimento de muitos catarinenses: o incômodo com o outsider que fala como se estivesse acima das tradições locais.
De Itajaí, o ex-vereador e comunicador Osmar Teixeira, também criticou Seif. E o que se viu, nas redes e nos bastidores, foi uma onda crescente de solidariedade a Ana Campagnolo, mesmo entre eleitores que não necessariamente comungam de todas as suas pautas.
No jogo político, Seif tentou desqualificar uma adversária interna — e acabou fortalecendo-a. Campagnolo, que já vinha se firmando como uma voz influente entre os bolsonaristas de raiz em Santa Catarina, sai desse episódio com o discurso reforçado: o de que representa o eleitor conservador catarinense autêntico, contra os “importados” que surfam na popularidade de Bolsonaro.
O saldo político é claro: Seif pisou na bola. Num estado onde o professor ainda é figura respeitada, desmerecer a trajetória de uma educadora foi mais que um erro de cálculo — foi um gol contra.







