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Quando ensinar vira um ato de coragem: o assédio e a falta de valorização dos professores

Redação por Redação
12 de setembro de 2026
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Quando ensinar vira um ato de coragem: o assédio e a falta de valorização dos professores

Por Edinis Ronaldo — Jornalista e Repórter | Pedagogo e acadêmico de Letras pela Unopar

Ser professor nunca foi uma tarefa simples. Educar exige conhecimento, paciência, equilíbrio emocional, dedicação e, acima de tudo, respeito. Porém, em Blumenau, assim como em outras cidades brasileiras, cresce a preocupação com relatos de professores que enfrentam situações de desrespeito, ameaças, constrangimentos e até situações que podem ser caracterizadas como assédio dentro do ambiente escolar.

O problema não pode ser tratado como uma simples questão de indisciplina. Quando um professor entra em uma sala de aula e passa a ser ameaçado, intimidado ou constantemente desrespeitado por estudantes, estamos diante de uma situação que precisa ser levada a sério por toda a comunidade escolar.

Há professores que, diante da pressão diária, acabam emocionalmente abalados. Em alguns casos, o sofrimento chega a um ponto em que o profissional precisa se afastar de suas atividades. E quando um educador precisa deixar a sala de aula porque não consegue mais suportar emocionalmente aquilo que está vivendo, a pergunta que deveria ser feita é: quem está cuidando de quem ensina?

O professor não pode ser o elo mais fraco

Durante décadas, criou-se uma visão de que o professor deveria suportar tudo em nome da profissão. Ameaças? “Faz parte.” Ofensas? “É coisa de adolescente.” Desobediência? “Professor precisa ter jogo de cintura.”

Não. Não deveria ser assim.

O professor é um trabalhador e, como qualquer outro profissional, tem direito a exercer sua função em um ambiente seguro, respeitoso e saudável.

É preciso diferenciar uma situação comum de conflito entre professor e aluno de comportamentos que ultrapassam os limites da convivência escolar. Agressões verbais, ameaças, intimidações, perseguições e tentativas de desestabilizar emocionalmente um profissional não podem ser naturalizadas.

Também não se trata de colocar todos os estudantes no mesmo lugar. Existem milhares de alunos responsáveis, respeitosos, interessados e que reconhecem a importância de seus professores. O problema está naqueles comportamentos que ultrapassam os limites e encontram, muitas vezes, respostas insuficientes dentro do sistema educacional.

Quem protege o professor?

Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes.

Quando um aluno ameaça um professor, qual é o procedimento adotado? Quando um educador relata que está sofrendo perseguição ou constrangimento, quem acompanha o caso? Quando o profissional apresenta sinais de esgotamento emocional, existe uma rede preparada para ajudá-lo?

A escola não pode simplesmente esperar que o problema desapareça.

É fundamental que direção, coordenação pedagógica, Secretaria de Educação, famílias e demais responsáveis pelo ambiente escolar atuem conjuntamente. O professor precisa saber que, diante de uma ameaça ou situação grave, haverá respaldo institucional e que sua palavra será ouvida.

A autoridade do professor não significa autoritarismo. Significa estabelecer limites necessários para que o processo de ensino e aprendizagem aconteça.

A desvalorização também machuca

A falta de valorização do professor não acontece apenas quando existe uma agressão ou ameaça.

Ela também aparece quando o profissional se sente sozinho diante dos problemas, quando sua autoridade é constantemente questionada, quando suas dificuldades são ignoradas ou quando a responsabilidade por todos os problemas da educação acaba sendo colocada exclusivamente sobre seus ombros.

É fácil falar que a educação precisa melhorar. Mais difícil é olhar para quem está diariamente dentro da sala de aula.

O professor enfrenta desafios pedagógicos, administrativos e emocionais. Precisa lidar com diferentes realidades familiares, dificuldades de aprendizagem, questões sociais, conflitos e, ao mesmo tempo, cumprir suas responsabilidades profissionais.

E ainda precisa ensinar.

A família também tem um papel fundamental

Não existe educação escolar de qualidade sem a participação das famílias.

O respeito ao professor começa também dentro de casa. Pais e responsáveis precisam ensinar aos filhos que discordar de um professor é permitido, questionar é permitido e buscar seus direitos é permitido. O que não pode ser permitido é ameaçar, humilhar, perseguir ou intimidar.

A escola precisa ser espaço de diálogo, mas diálogo não significa ausência de limites.

Da mesma forma, professores também precisam estar preparados para ouvir os estudantes, reconhecer seus erros e construir relações baseadas no respeito. Autoridade se constrói com responsabilidade, coerência e diálogo — não com medo.

Não podemos esperar que o professor adoeça para agir

Talvez esse seja o ponto central.

Não podemos esperar que um professor entre em afastamento, desenvolva um quadro grave de sofrimento emocional ou abandone a profissão para então reconhecer que havia um problema.

A prevenção precisa acontecer antes.

É necessário fortalecer os canais de denúncia e acolhimento, estabelecer protocolos claros para situações de ameaça e agressão, orientar professores e gestores sobre como agir e garantir acompanhamento aos profissionais que enfrentam situações de violência ou assédio no ambiente escolar.

Valorizar o professor também significa protegê-lo.

A educação precisa recuperar o respeito

Blumenau é conhecida pela qualidade de sua educação e por uma rede de profissionais que trabalha diariamente para formar crianças e jovens. Mas nenhuma política educacional será suficientemente forte se não cuidar de quem está na linha de frente.

O professor não é inimigo do aluno.

O professor não é adversário da família.

O professor é parte fundamental da formação de uma sociedade.

Por isso, quando um educador é ameaçado, desrespeitado ou emocionalmente destruído dentro do exercício de sua profissão, não é apenas ele que perde. Perde a escola, perde a família, perde o aluno e perde a própria sociedade.

Precisamos voltar a discutir o respeito dentro das escolas. Precisamos ouvir os professores. Precisamos acolher os profissionais que estão sofrendo. Precisamos responsabilizar comportamentos que ultrapassam os limites e, principalmente, precisamos entender que autoridade e respeito são condições indispensáveis para ensinar e aprender.

Porque antes de exigir que o professor transforme vidas, é preciso garantir que ele também tenha condições de permanecer de pé.

Professor merece respeito. Professor merece segurança. Professor merece valorização.

E isso não pode ser apenas discurso em uma homenagem no Dia do Professor. Precisa ser uma prática cotidiana.

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